
Spark: intake conversacional com IA para inovação enterprise
Como transformei formulários fragmentados do Service Desk em um produto conversacional próprio: classifica o pedido, exige contexto de verdade e já registrou 13 oportunidades no pipeline nos primeiros 3 dias.
Publicado em
Empresa | Tenda / Alea |
Papel | Product Builder |
Período | 2025–2026 (em produção desde ago/2026) |
Stack | TanStack Start · Supabase Edge Functions · agente com skills · board de iniciativas · Service Desk |
URL |
One-liner: Substituí formulários fragmentados no Service Desk por uma conversa que classifica o pedido, exige contexto de verdade e só envia pra análise quando dá pra o time técnico trabalhar.
Meu papel
A ideia nasceu com a gerente da área: um agente dentro do Claude/Gemini pra ajudar no intake. Rápido ficou claro o limite desse caminho (escopo enterprise, integrações, governança de processo, experiência contínua).
Eu peguei o projeto e elevei pro que existe hoje: produto próprio, em produção.
O que eu fiz:
- Discovery e JTBD com áreas solicitantes e quem prioriza/executa
- Reuniões de entendimento de fluxos, mapeamento do processo atual e desenho do fluxo ideal
- Alinhamento e mudança de procedimentos com plataformas já existentes (board de iniciativas, Service Desk)
- Definição do agente (roteamento, anamneses, regras de completude, linguagem)
- Criação da skill de capacidade do produto (o que o Spark faz / não faz) e da regra de mantê-la atualizada a cada feature
- Construção e ship em produção (UI, agente, integrações, FAQ)
- Validação de protótipo e iteração até o lançamento
Problema
Qualquer colaborador pode propor melhoria, ideia de inovação ou pedido de tecnologia. Na prática, isso vivia em formulários distintos no Service Desk, cada um com seus campos.
Antes | Dor |
|---|---|
Vários formulários | “Qual formulário eu uso?” |
Campo obrigatório ≠ informação útil | Dava pra preencher com o mínimo (ex.: um ponto em “áreas impactadas”) e seguir |
Anamnese humana depois | Líder recebia demanda incompleta e não conseguia avançar |
Detalhamento por e-mail | Ida e volta pedindo o que o formulário deveria ter capturado |
Resumo: processo media presença de campo. Não media qualidade de contexto.
Solução
Spark: um canal conversacional único. A pessoa descreve o pedido em linguagem natural (ou escolhe um atalho). O agente entende a natureza da demanda, coleta o que falta e encaminha pro destino certo.
Quatro caminhos, uma experiência
Tipo de pedido | O que acontece |
|---|---|
Bug ou ajuste pontual | Orienta abertura de chamado no Service Desk. Não cria iniciativa. |
Dashboard, relatório ou dados | Anamnese específica. Encaminha ao time de dados. |
Melhoria pequena | Coleta o lado do solicitante. Vai à triagem do líder da vertical. |
Nova ideia de inovação | Qualificação mais profunda. Encaminha ao escritório de valor (VMO). |
Diferença crítica vs. formulário
O agente foi treinado pra evitar preenchimento raso. Se falta impacto por área, o porquê, sistema afetado ou benefício esperado, ele pergunta. Pode pausar a conversa e não enviar pra análise até o solicitante ter o mínimo necessário (status “sua vez”).
Decisões de produto
- Roteamento por temática, não por quem abriu. Melhoria de RH proposta por Finanças vai pra Gente & Gestão. Reduz demanda na fila errada.
- Completude antes do handoff. Sistema antigo perguntava se o campo estava preenchido. Spark pergunta se a informação serve pra alguém trabalhar.
- Melhoria pequena na conversa; calibração humana depois. O solicitante não estima hora de desenvolvimento. Líder de vertical decide esforço e fila.
- Triagem do líder antes do fórum de priorização. Nem tudo sobe pra reunião de portfólio. Protege caminho rápido sem perder o que precisa de olho estratégico.
- Demanda nasce onde a operação vive. Se o time trabalha no Service Desk, o Spark abre o chamado lá (via API). Solicitante não sai da conversa. Evita “demanda fantasma” no board.
- Clareza de capacidade como skill do agente. Criei uma skill (
capacity-check) com o que o Spark pode e não pode fazer. Se o usuário traz dúvida de uso ou um pedido fora de escopo, o agente lê essa skill e redireciona na própria conversa, sem precisar abrir FAQ, chamado ou pedir ajuda humana. Regra de desenvolvimento: toda feature nova no Spark atualiza essa skill no mesmo ciclo, pra o produto não “prometer” o que não existe.
Processo
Etapa | O que aconteceu |
|---|---|
Origem | Experimento de agente em LLM genérico (Claude/Gemini). Limitações de escopo ficaram claras. |
Ownership | Assumi o projeto e reposicionei como produto próprio. |
Discovery | Reuniões com áreas envolvidas; JTBD de quem pede e de quem prioriza. |
Processo | Mapeamento do as-is, fluxo ideal, alinhamento de procedimentos com board e Service Desk. |
Protótipo | Validação de classificação + anamneses distintas antes de fechar integrações. |
Build | Chat, iniciativas, FAQ, agente modular (skills), handoff e SSO. |
Launch | Produção na semana de 24/ago/2026. FAQ e suporte no Teams. |
Arquitetura (visão rápida)
Escolhas técnicas relevantes:
- Voz única no chat (usuário fala com o Spark)
- Skills versionadas em markdown (comportamento do agente como código)
- Skill de capacidade do produto carregada em toda conversa (manual vivo do que o app faz / não faz)
- Servidor decide o roteamento (modelo não escolhe caminhos mutuamente exclusivos)
- Extrator estruturado separado da conversa
Resultado
Produto novo (lançamento recente). Mesmo assim, já há sinal de adoção e de pipeline:
Métrica | Valor |
|---|---|
Novas oportunidades no pipeline (primeiros 3 dias) | 13 |
Visitantes | 320 |
Pageviews | 941 |
Views / visita | 2,94 |
Duração média | 1m 21s |
Bounce rate | 51% |
13 iniciativas registradas em 3 dias é o número que mais importa neste estágio: o canal não só gera tráfego, gera entrada qualificada no pipeline.
Impacto qualitativo já observável:
- Demanda chega ao líder com mais contexto (menos “campo preenchido por formalidade”)
- Menos ida e volta de e-mail pedindo detalhe
- Um ponto de entrada no lugar de vários formulários
- Acompanhamento em Minhas iniciativas, com opção de reabrir a conversa
- Dúvida de escopo resolvida na conversa (via skill de capacidade), sem escalar pra FAQ/humano por padrão
Roadmap (próximo)
O intake conversacional é a base. O produto ainda tem espaço pra escalar o que hoje depende de capacidade humana das áreas de inovação e melhoria contínua:
Direção | O que muda |
|---|---|
Busca de similares (RAG) | Comparar o pedido do usuário com iniciativas em andamento, pra reduzir entrada duplicada |
Mapeamento de processos | Ajudar a desenhar o processo da área e gerar artefatos (ex.: fluxos BPMN) |
Diagnóstico de problema | Apoiar a busca da raiz do problema (não só registrar o pedido), com mais escala do que o modelo atual de facilitação humana |
Esses papéis ainda não estão no ar. A skill de capacidade do produto deixa isso explícito pro agente: não promete o que o roadmap ainda não entregou.
Aprendizados
- Campo preenchido ≠ informação útil. Conversa bem desenhada mede qualidade; formulário mede presença.
- IA no intake coleta e estrutura. Não decide capacidade operacional. Esforço e impacto multi-área ficam com humano. Já a capacidade do produto (o que o app faz) precisa estar explícita pro agente.
- Produto conversacional sem mapa de limites alucina escopo. Skill de capacidade + regra de update por feature evita o agente inventar menu ou prometer JTBD que ainda não existe.
- Integração segue a operação. Forçar tudo no board cria demanda fantasma.
- Agente genérico ≠ produto. Claude/Gemini ajudam a explorar; escopo enterprise pediu produto próprio, processo e integração.
- Abstração interna não vaza. Nomes de processo ficam no backend. Na conversa, língua de quem solicita.